Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
O
problema particular da escolha da profissão (Final)
René Ariel Dotti
A reflexão e a coragem para frequentar um novo curso
A
sociedade de consumo em que vivemos se caracteriza pelos
padrões de massificação da cultura popular, com destaque para
o mito do sucesso profissional a ser obtido independentemente
das qualificações e condições pessoais. O adolescente que não
tem a sorte ou o mérito de vencer a provação bíblica do
vestibular, para o ingresso em um dos centros universitários,
sofre o constrangimento da discriminação por parte de amigos e
colegas, na vida social e nas relações afetivas. Surge, então,
a necessidade de se obter um diploma independentemente da
conexão entre o curso frequentado e as aptidões individuais.
O tema da
escolha da profissão tem vinculação direta com o fenômeno
da vocação. Como ensina o jurisconsulto e educador
Miguel Reale, “a vocação é um dom que exige preparo e
educação pois no mundo não se recebe nada de graça, sem estudo
e dedicação. Nesse sentido, cabe advertir que é dever dos pais
orientar os filhos tão logo percebam neles capacidade de
realizar-se nesta ou naquela outra esfera de conhecimento e de
ação. O mesmo se diga dos mestres responsáveis, muitas vezes
causas determinantes dos grandes triunfos de seus discípulos.
Não creio que possa haver maior mérito no magistério do que
esse de saber descobrir a vocação dos jovens, preparando-os
para se realizarem de maneira excepcional” (“Variações
sobre a vocação”, artigo publicado em O Estado de São Paulo,
de 02.08.07). O querido e imortal professor – que foi reitor
da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira
de Letras – nos diz, ainda, que a vocação “é uma condição
psicológica das mais complexas, pois depende de uma série de
fatores, a começar pela psique individual até as
circunstâncias e conjunturas em que atua”.
A descoberta
da vocação pode ocorrer desde a infância ou na adolescência,
quando, por exemplo, o filho do médico, do advogado, do
engenheiro ou outro profissional graduado no ensino superior
toma conhecimento de alguns ou muitos detalhes da atividade
paterna no convívio familiar. O processo psicológico da boa
imitação, ou seja, o fruto da mesma árvore, funcionará
para a escolha do curso do futuro. Na falta dessa referência,
o jovem precisa se aconselhar. Alguns dos endereços são as
escolas ou associações das diversas entidades de classe.
No fundo, a
prática de uma atividade profissional, em harmonia com a
vocação, é um dos caminhos da realização pessoal, pois o ser
humano pode fruir a alegria na vida com o prazer no trabalho.
Esse estado
de alma é a felicidade.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 28.03.2010.
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