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Coluna “A vida e a alma da advocacia” – René Ariel Dotti

 

Estagiário: profissão esperança

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As ocupações humanas são alimentadas pelo sentimento da esperança que, no dizer do Padre Vieira, “é a mais doce companheira da alma”. A esperança do escritor é ver o texto admirado; do médico é vencer a doença; do construtor é fazer a boa edificação; do jornalista é o sucesso da matéria publicada, e assim vai. Em qualquer profissão, a esperança é o fim e o cabo de um trabalho. Mas existe uma atividade em que a esperança convive no trabalho: é o ofício do estagiário. No campo do Direito e da Justiça, o estágio é o exemplo de que as horas e os dias, o tempo, enfim, dedicado pelo estudante se confunde com as funções que possam ser exercidas no futuro. Professor de Direito? Jurista? Juiz? Advogado? Membro do Ministério Público? Delegado de Polícia? Em qual delas estará ele realizado pessoalmente? Não importa se o estágio é remunerado ou gratuito. O fundamental é que a sua própria natureza é feita da esperança de vencer na vida, fórmula que nem sempre é fácil de ser traduzida. Afinal, o que é vencer na vida?

Para o bom profissional da carreira jurídica, vencer na vida é obter a tranquilidade de espírito, a respeitabilidade intelectual, o reconhecimento da competência e o conforto material para uma vida digna.

O estagiário não deve ter pressa. Nem com a escolha da especialidade e muito menos com a segurança financeira. Embora a incerteza sobre o futuro possa ser fator de perturbação ou, no mínimo, de inquietação, o fundamental é curtir o presente: carpe diem. Ele deve pesquisar com entusiasmo e estudar com afinco, além de acompanhar a evolução da causa sem estar vinculado pessoalmente ao seu resultado. Mas nem por isso ele deve permanecer negligente ou indiferente aos sinais e avisos que, de vez em quando, aparecem no seu caminho. Ele precisa estar imerso, dia e noite, em outro sentimento: a fé. É um estado de espírito com tal força de vontade que justifica o adágio popular: “A fé move montanhas”.


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