41. 3306-8000 | contato@dotti.adv.br

Memórias

 

O homem é a medida de todas as coisas [ Discurso de saudação e recepção do Prof. Belmiro Valverde Jobim Castor, como ocupante da Cadeira nº 28]

*Para acessar todos os artigos do autor clique no nome acima.

** Discurso de saudação e recepção do Professor Belmiro Valverde Jobim Castor, como ocupante da Cadeira nº 28.

*** René Ariel Dotti, advogado e professor universitário, é ocupante da Cadeira nº 3 da Academia Paranaense de Letras.

 

(1)            nascimento e família

Belmiro Valverde Jobim Castor nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 26 de abril de 1942.  Filho de Carlos Castor de Menezes e Maria da Glória Jobim Valverde Castor – Casado com Thereza Elizabeth Bettega Castor e pai de duas filhas Adriana (1969) e Carolina (1973) e um neto, Leonardo (1998)

 

(2)            estudos primários e secundários

Seus estudos primários foram feitos em Rio Negro, no Grupo Escolar General Rebello. E os estudos secundários no Colégio Santo Agostinho (Rio de Janeiro).

 

(3)            Estudos Universitários

            ÷            Bacharel em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro (1964);

÷            Mestre em Administração Pública pela Universidade do Sul da Califórnia (Janeiro 1980);

÷            Doutor em Filosofia (PhD), na mesma Universidade norte-americana (Maio de 1982).

A sua carreira universitária demonstra que o doutorado em Filosofia foi coerente com a significação etimológica da palavra Filosofia que é  “amor à sabedoria”.

Walter Kaufmann, em sua Crítica da Religião e da Filosofia, nos diz que “O grande filósofo é um poeta dotado de consciência intelectual”.

 

(4)            Outros Estudos

            ÷            Aprovado com distinção no XVII Curso de Treinamento em Problemas de Desenvolvimento Econômico (CEPAL-BNDE), São Paulo, 1966;

÷            Estágio Métodos Modernos de Gestão das Empresas, concedido pelo Governo da França;

÷            Estágio de Reciclagem promovido pelo Governo francês (1974).

 

(5)            Magistério e Consultoria

÷            Professor do Mestrado em Organizações da FAE Business School;

÷            Professor Titular da Universidade Federal do Paraná;

÷            Professor Convidado do Centro Universitário Positivo (Pró-Reitoria de Pós Graduação em Administração);

÷            Professor Convidado da PUC (SP);

÷            Consultor ad hoc da CAPES e CNPq na área de administração;

÷            Membro de dezenas de bancas de exame em curso de mestrado, doutorado e livre docência em diversas instituições universitárias.

 

(6)            Helena Kolody

A passagem física de Helena Kolody é lembrada neste momento com emoção e saudade. Quando trabalhei na usina de sonhos da Secretaria de Estado da Cultura, institui o I Concurso que teve o seu nome e publicou uma antologia de poetas contemporâneos do Paraná.  A primeira autora selecionada foi a hoje Acadêmica adélia maria woellner, que compareceu ao certame sob o pseudônimo de Penélope com três poemas: “Plenitude”, “Libertação” e “Procriação”.  A coletânea, designada simplesmente Os poetas,[1] foi uma singela homenagem pelo talento, magia, emoção e poesia dessa humilde e iluminada criatura humana que ocupou a Cadeira nº 28  deste sodalício. No pórtico do livro, editado há 15 anos, ela assim se definiu: simples e maravilhosamente:

 

“Sou Helena Kolody, paranaense de Cruz Machado, vivendo há mais de meio século em Curitiba.

“Por vocação e escolha fui apaixonadamente professora.

“Nasci poetisa.

“Desde criança amei os pássaros, as palavras e as canções. Na adolescência, comecei a cantar meus sonhos em versos. De sonhos aprisionados em poemas inventei muitos livros.

“Dedico-me agora a aplaudir as novas gerações”.[2]

 

A organizadora da antologia, a jornalista e escritora regina Benitez,  solicitou que eu escrevesse algumas linhas de homenagem àquela notável mulher. E na última capa estão impressas, em manuscrito,  estas minhas palavras:

 

“A poesia de Helena Kolody

 é feita com a linguagem da alma

e o cinzel da memória.

“Em seus versos a palavra é sinal de vida, símbolo da paixão, ponto de encontro do sonho com a realidade”[3]

 

(7)       a natureza e a missão de uma academia

As academias têm o objetivo de promover o desenvolvimento de ramos do saber ou de atividade  que a cada uma corresponde.

Como registrou o confrade  valério hoerner junior no discurso de saudação ao novo acadêmico, o Reitor clemente ivo juliato, a nossa Academia Paranaense tem,  assim como a Brasileira, a indicação das Letras em sua razão social. Mas, no curso de sua existência, ela tem cultivado, além da prosa e do verso puros, a Música, o Jornalismo, a Sociologia, a História, a Medicina, o Magistério, a Magistratura, a Advocacia. E observa:

 

“Essas áreas, científicas ou artísticas, mas especialmente assistidas pelo humanismo renascentista, costumam inserir-se com naturalidade nos contextos academiais de letras, justamente porque não prescindem da lingüística no seu sentido mais específico, mormente quando nomes afloram em atividades dicotomizadas, em suma irmanados de banda no epicentro do interesse comum. Assim surgem os médicos-poetas, os advogados-contistas, os jornalistas-romancistas e por aí afora”.[4]

 

            Uma Academia de Letras não pode limitar a sua missão à produção das obras exclusivamente literárias, concebida a Literatura  como  “expressão dos conteúdos de ficção ou da imaginação, por meio de palavras polivalentes ou metáforas”[5]. Ou, em outras acepções, como o uso estético da linguagem escrita, arte literária ou, ainda,  como o conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético pertencentes a um país.

Uma Academia de Letras é, por derivação e na extensão de sentido, uma congregação de caráter científico e artístico, além do literário.

Daí a necessidade desses sodalícios projetarem-se no cenário dos Estados Democráticos de Direito e das comunidades locais como núcleos de pensamento e ação para tratar determinadas questões de interesse humano e social. Especialmente nas áreas da Educação e da Cultura.

********************

 

É dentro dessa ampliada e generosa concepção de Academia de Letras que hoje saudamos o mestre, escritor, administrador, cientista e grande figura humana.

 

(8)       O pensador e o gestor no universo da administração

            A casa de Ulysses Vieira recebe um pensador que trata com sensibilidade, talento e vigor as questões da administração em sua dupla face: pública e privada. E a administração é um assunto recorrente que, de uma forma ou de outra, interessa a todos. Mesmo em relação aos incapazes de autogoverno ou determinação em face da doença ou da idade.

 

 

I – Distinções universitárias e prêmios em monografias

 

São muitos os títulos, as distinções acadêmicas obtidas por Belmiro Valverde na área de sua competência específica. Apenas como exemplos podem ser referidos: a) Aprovado com distinção em exames de qualificação para o doutorado; b) A láurea Henry Reining, conferido pela Universidade do Sul da Califórnia, para a melhor dissertação de doutorado em Administração Pública (1981-1982); c) Co-autor das   monografias Planejamento e ação planejada: o difícil binômio (Prêmio da Sociedade Brasileira de Planejamento Empresarial (1986); Administração Pública no Brasil: exaustão e Revigoramento do Modelo (3º Concurso Nacional de Monografias sobre Serviço Público da Fundação Centro de Formação de Servidores Públicos – Ministério da Administração (1985);Diversificação de serviços bancários e administração eficaz  – Prêmio Luiz Antonio Vieira, da Associação de Bancos do Estado do Rio de Janeiro (1982)

 

 II –            Atividades na Administração Pública

 

Em seu curriculum acadêmico e funcional se destacam a experiência e a sua contribuição no exercício do cargo de Secretário de Estado do Paraná na área de Planejamento durante os governos de Jayme Canet Junior (1974-1979) e José Richa (1983-1984) e da Educação, no Governo Álvaro Dias (1987-1988).

 

 

III –            Atividades na Administração Privada

 

÷            Foi Diretor Superintendente e Diretor Internacional do Banco Bamerindus do Brasil S/A;

÷            É Consultor de várias empresas privadas e organizações não governamentais;

÷            Membro eleito do Conselho Curador da Universidade Federal do Paraná;

÷            Membro eleito do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná.

 

(9)       A ciência e a arte da boa administração

            Como é óbvio, a administração, de um modo geral é ciência e arte de governar, dirigir, conduzir e orientar atividades no interesse público ou particular. Entre os seus requisitos fundamentais estão e a honestidade e a competência. Em se tratando da gestão da coisa pública e dos interesses coletivos é preciso, também, doses muito grandes de idealismo e de entusiasmo.

O artigo de um empresário de sucesso, Roberto Civita, publicado na revista Veja, ao transmitir os seus votos para 2005, examinando a performance do governo federal, sintetiza – em apenas três palavras – a receita para o bom administrador público: “competência, disciplina e persistência”.[6]

Na mesma revista e na mesma edição, há uma instigante crítica abordando o panorama brasileiro (“A era do administrador”) de Stephan Kanitz – graduado em Harvard (EUA) e uma sugestiva pergunta: Por que os Estados Unidos são o país mais bem sucedido no mundo tendo resolvido os problemas da miséria e da estagnação econômica,  ao contrario do Brasil? E ele mesmo responde:

 

“O segredo americano, e que você jamais encontrará  em nenhum livro de economia, é que os Estados Unidos são um país bem administrado, um país administrado por profissionais”.[7]

 

A diferença entre o administrador privado e o gestor do patrimônio  público  é que, no primeiro caso, a incompetência, o nepotismo, a negligência e  a desonestidade podem levar a empresa à falência; no segundo, não.

O que deve animar o gestor da coisa pública é a esperança de reverter as dificuldades e a firme convicção de operar mudanças. O seu breviário permanente deve ser o conjunto dos princípios da administração pública, claramente enunciados pela Constituição do nosso país.  São eles:  legalidade,  impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

 

(10)     O pensador, o crítico e o escritor

Belmiro Valverde não somente pensa os problemas da administração pública e privada. Ele critica, também, com autoridade científica e funcional,  as mazelas de uma e outra.

Centenas de artigos publicados aos domingos na Gazeta do Povo, vários outros no Caderno de Idéias, participação em conselhos editoriais; textos acadêmicos e atividades comunitárias são exemplos de uma vida dinâmica e fecunda.

Um valioso material crítico se contém no livro O Brasil não é para amadores: Estado, Governo e burocracia na terra do jeitinho, em boa hora reeditado pela valorosa Travessa dos Editores. Em sua produção bibliografia há outros trabalhos relevantes, ora em co-autoria (Estado e Administração Pública: Reflexões, 1987), ora em obra coletiva: Mapa geral de idéias e propostas para a nova Constituição (1987) e  A reengenharia do Estado brasileiro (1995).

 

(11)     A provação bíblica da burocracia

            O novo Acadêmico é um crítico incansável de uma das desgraças da administração pública: a burocracia.

A burocracia é a complicação ou a morosidade no desempenho do serviço administrativo. E com uma agravante: há burocratas que não fazem, mas, em compensação, também não deixam fazer.

Em nosso país, há mais de 35 anos, foi criado o Ministério da … Desburocratizarão.  Mas o seu idealizador, ministro Hélio Beltrão, não conseguiu erradicar essa profunda e nociva cultura. Por coincidência, 35 também é o número de Ministérios do Governo Lula…

No Êxodo,  o segundo Livro da Bíblia, onde se narra a saída dos hebreus do Egito, estão reveladas as Dez Pragas do Egito.   Duas delas se parecem, e muito, com a burocracia brasileira: a 4ª e a 8ª.

             A 4.ª praga são as  moscas que vieram, em  grandes enxames à casa do Faraó, de seus servos e sobre todo o Egito: a terra foi corrompida destes enxames.

A 8.ª praga  são Os gafanhotos  porque cobriram a face de toda terra de modo que ela escureceu. E comeram toda a erva da terra e todo fruto das árvores.

Assistindo as campanhas publicitárias e os discursos em tempo de eleições, abastecidos com as mais variadas promessas para o bem do povo e a felicidade geral do país, do Estado e do Município, os cidadãos não ouvem uma das palavras chaves para o bom êxito da administração:  desburocratização.

E não ouvem porque as milhares de nomeações indiscriminadas para cargos de confiança – como tem ocorrido com o governo Federal – constituem promessas antecipadas para a colheita do voto. Uma permanente moeda de troca.

Um estudo recente do Banco Mundial mostra que para a licença de abertura de uma empresa no Brasil são necessários 152 dias, ou seja, 5 meses! O contraste em relação a outros países é imenso: Austrália (2 dias); Estados Unidos (4); Chile (27); Rússia (28); México (51); Argentina (68) e na média da América Latina (72).

Há uma prática nefasta desde o tempo do Brasil-Colônia até hoje: quem deseja abrir um negócio qualquer é tratado como suspeito nos guichês das repartições públicas. Principalmente se o cidadão estiver interessado em seu próprio negócio. Ao reverso, o poder público é imposto como um ente superior que se alimenta de formulários, certidões, guias e informações exigindo que o contribuinte prove a sua honestidade. Como é óbvio, esse calvário de obstáculos  e que revela a face oculta de labirintos burocráticos, é muitas vezes atalhado com a propina que avilta a auto-estima do cidadão e fomenta a corrupção do servidor.

Em judicioso artigo, o empresário Antônio Ermírio de Moraes observa que a burocracia “é um veneno que parece ter vida própria. A depender dos burocratas, ela jamais diminuirá. Afinal, eles vivem de criar dificuldades para vender facilidades. Burocracia e corrupção são irmãs siamesas”.[8]

Essas reflexões estão em harmonia com a natureza do excelente livro, já mencionado: O Brasil não é para amadores.Além de analisar, com experiência, lucidez e firmeza os males do Estado, do governo e da burocracia “na terra do jeitinho”, o Professor Belmiro Valverde  trata do assunto num dos capítulos, apropriadamente intitulado: “Nessa democracia, manda a burocracia”. E fustiga a importância exagerada das aparências e das liturgias, em detrimento da atenção à substância dos problemas a resolver.

Segundo recente estudo do Banco Mundial, entre os 145 países pesquisados, o Brasil ocupa uma das últimas colocações no item relativo à eficiência.

Para ilustrar esses números pessimistas vem a estimativa do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan: o excesso de burocracia consome cerca de 5% do PIB nacional, ou seja, 25 bilhões de dólares por ano.

 

(12)     A globalização e a perda de identidades culturais

            Fala-se muito nos dias correntes – e não raro com entonação  eufórica –  da globalização como um fenômeno de progresso das sociedades modernas.  A globalização é um termo utilizado há vários anos pelos economistas para descrever algo como recente mas que, na realidade, existe  desde o início do século e que foi descrito por Lenine, em sua obraImperialismo, estágio supremo do capitalismo: crescimento e primazia das exportações de capital, desenvolvimento da divisão internacional do trabalho, dos trustes multinacionais, interconexão das economias dos diferentes países, etc.  Como lembra o economista francês, Pierre Size,[9] este nome surge pelo fato de que tal processo tomou uma amplitude particular desde os anos 80 em que a desregulamentação generalizada acelera   as condições da concorrência no plano mundial e o desenvolvimento dos meios de transporte e telecomunicações suprimiram, um a um, os obstáculos à deslocação de centros de produção. Ao mesmo tempo, as crises financeiras, que no passado levavam meses ou anos para se propagar, agora tocam todas as praças financeiras em alguns instantes.

Eu penso que um dos meios para evitar que as sociedades humanas sejam vítimas de efeitos maléficos da globalização e a conseqüente massificação espiritual é a multiplicação de academias para explorar o universo das culturas locais.  E o Paraná é um cenário multifacetado pela Cultura e Civilização de povos e raças que aportaram nos campos e nas cidades, vindos das mais distantes regiões do mundo, ampliando os espaços do antigo caminho das tropas para uma imensa terra de todas as gentes, uma espécie de liga das nações.

Afinal, como diz muito bem o confrade João Manuel Simões, em um de seus pensamentos sem pretensões,

 

“Vivemos a era da globalização tecnológica. Mas onde fica a globalização humanística?”.[10]

 

O mesmo acadêmico, poeta, crítico e ensaísta arremata com a luz dos grandes espíritos:

 

“O progresso tecnológico promove uma grande metamorfose: transforma homens livres em servos de máquinas e apertadores de teclas”.[11]   

 

(13)     um novo renascimento

            A mística da globalização – que massifica a informação,  anula a liberdade de criação e  extingue a imaginação – que é um reduto indevassável da alma –  se parece com a dominação e o obscurantismo religiosos de períodos da Idade Média.

O pensamento medieval, dominado pela religião, cede lugar a uma cultura voltada para os valores do indivíduo. Os artistas, inspirando-se uma vez mais no legado clássico grego, buscam as dimensões ideais da figura humana e a representação fiel da realidade. Esse período corresponde à Baixa Idade Média e início da Idade Moderna (do século XIII ao século XVI) e pode ser dividido em Duocento (1200 a 1299), Trecento (1300 a 1399), Quattrocento (1400 a 1499) e Cinquecento(1500 a 1599).

No século XIII, o gótico começa a dar lugar para uma revolução espiritual e cultural que resgata a escala humana. São as primeiras manifestações do que, mais tarde, se chamaria Renascimento e que renovou não apenas as artes plásticas, a arquitetura e as letras, mas também a organização política e econômica da sociedade.

A principal característica dessa mudança é o surgimento da ilusão de profundidade nas obras. Nos afrescos de Giotto, na Igreja de Santa Croce em Florença, por exemplo, pode-se ver figuras mais sólidas do que as góticas, situadas em ambientes arquitetonicamente precisos, dando impressão de existência concreta: é o nascimento do Naturalismo. Ele consegue dar expressão e profundidade às figuras humanas.

No século XV, Piero della Francesca (afrescos na catedral de Arezzo) desenvolve uma pintura impessoal e solene, misturando figuras geométricas e cores intensas. O arquiteto e escultor Filippo Brunelleschi, criador da cúpula do Duomo de Florença, concebe a perspectiva, artifício geométrico que cria a ilusão de tridimensionalidade numa superfície plana. Defende a técnica e seus princípios matemáticos em tratados. A ela aderem artistas como Paolo Uccello (Batalha de São Romano), Sandro Botticelli (Nascimento de Vênus), Leonardo da Vinci (Mona Lisa), Rafael Sanzio (Madona com menino) e Michelangelo (Davi, Moisés e Pietá; teto e parede da Capela Sistina, no Vaticano; cúpula da Basílica de São Pedro). Na Bélgica e Holanda, nesse período, surgem os representantes do renascimento flamengo como Jan van Eyck, Hans Memling e Rogier van der Weyden, que desenvolvem a pintura a óleo.

Leonardo da Vinci (1452-1519), artista, arquiteto, inventor e escritor italiano. Nasce em Florença e recebe a proteção deLorenzo de Medici. Em Milão,  pinta o afresco da Última Ceia (entre 1482 e 1499). Em Florença pinta a Mona Lisa (entre 1503 e 1506). Nos estudos científicos, prenuncia a invenção de peças modernas como o escafandro, o helicóptero e o pára-quedas. O seu Tratado sobre a pintura é um dos livros mais influentes da história da arte. Da Vinci é o  maior representante doRenascimento. Ele inaugura o  Antropomorfismo em sua arte e pensamento. O Antropomorfismo é a visão do mundo ou doutrina filosófica que, buscando a compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais. Assim, então, proclama:  “O homem é a medida de todas as coisas“.[12]

Michelangelo Buonarroti (1475-1564) escultor, pintor, poeta e arquiteto italiano. Esculpiu a Pietá,  produziu Davi e pintouA Sagrada Família. Em 1508 começa a pintar, sozinho,  os afrescos do teto da Capela Sistina, trabalho que dura quatro anos.  Em 1538 pinta a parede do Juízo Final, na mesma capela. Oito anos depois, projeta a cúpula da Basílica de São Pedro.[13]

 

÷                     ÷                     ÷

 

Sob tal perspectiva, isto é, do ser humano como a medida de todas as coisas, o terceiro milênio poderá ser o cenário para a retomada do Humanismo como movimento filosófico de reforma através do refinamento da ciência e da tecnologia e de um novo Renascimento, como caminho de restauração das expressões mais generosas da arte e da literatura.

 

 

(14)     o universo das culturas locais

            Um dos remédios contra a epidemia da globalização, além da restauração da filosofia  do Humanismo, é a preservação do universo das culturas locais.  

            A Academia Paranaense de Letras, sob a liderança vigorosa e lúcida do Historiador Túlio Vargas, já promoveu, nos últimos anos, a criação de 16 academias e um centro de letras em cidades do interior paranaense. O bem sucedido projeto revela a fusão de experiência regional nesse universo difuso em que se constitui a nossa realidade histórica e social.  Anteriormente somente existia a Academia de Artes, Ciências e Letras de Londrina. Tais agremiações de letras caracterizam nítida vanguarda.  Servem-lhe de apoio logístico as universidades e as escolas de ensino superior que abrem suas portas para um processo de interação de programas e atividades que envolvem a Ciência, a Arte e a Literatura em harmonia com os progressos tecnológicos.

Esse projeto tem a virtude de incentivar  o desenvolvimento das artes, ciências e letras com as potencialidades locais.  E é justamente nesse aspecto que reside o seu maior mérito.  Estamos vivendo o começo de um novo século e de um novo milênio. É fundamental que as grandes obras do espírito e da inteligência humana não sejam destruídas pela invasão de novos bárbaros  assim como ocorreu com civilizações do passado que perderam a identidade e o vigor  em conseqüência de guerras e outros atentados contra a paz e a segurança.

Há um incomensurável terreno para ser lavrado com a inteligência dos trabalhadores culturais em cidades que têm história, identidade, valores e esperanças.

Domingos Pellegrini, na abertura  de seu romance Terra vermelha,  bem definiu uma parte desse universo, visto pelo caderno de poesia da Vó Tiana: “Põe na mão, olha bem, olha / e sabe porque então / esta terra é assim vermelha?/ É vermelha de paixão!”.

 

(15)     seja bem-vindo acadêmico Belmiro Castor

            Abrem-se, aqui e agora, as portas da casa de Ulysses Vieira para receber um cidadão de múltiplas camadas do espírito humano. Ele tem dedicado tempo e inteligência no trato dos problemas e das inquietações, frustrações e esperanças da arte e da ciência da Administração pública e privada.

Seja bem-vindo à galeria das figuras do passado e do presente da Academia Paranaense de Letras, cuja história, textos e imagens compõe a Biobibliografia, um valioso retrospecto re-elaborado por uma comissão integrada pelos acadêmicos Ernani Costa Straube, Túlio Vargas, Valério Hoerner Júnior e Wilson Bóia.[14]

Seja bem-vindo a esse novo espaço que será mais um estímulo para a sua fecunda vida intelectual neste nosso Paraná: terra de todas as gentes; liga das nações.

Tenho dito.
_____________________________

[1]              Edição Governo do Estado do Paraná – Secretaria de Estado da Cultura, Curitiba, 1990.

[2]              Os Poetas, cit., p. 7.

[3]              Os Poetas, cit.

[4]              valério hoerner junior, “As Academias, a Cultura, a Educação e merecidas loas a um novo acadêmico”, em Revista Paranaense da Academia de Letras, nº 46, de 2002, p. 27.

[5]              massaud moisés, Dicionário de termos literários, São Paulo: Editora Cultrix, 1978, p. 314, partindo do pressuposto de que a Literatura “é ficção, ou imaginação”.

[6]              Revista Veja, nº 1886, de 5 de janeiro de 2005.

[7]              Revista Veja, nº 1886, de 5 de janeiro de 2005, p. 21.

[8]              Gazeta do Povo, 29 de agosto de 2004.

[9]                 Dicionário da Globalização- A Economia de A a Z, , tradução e adaptação de Serge Goulart, Florianópolis: Livraria e Editora Obra Jurídica, 1997, p. 55/56.

[10]             Cem pensamentos sem pretensões, Curitiba: Editora Progressiva Ltda, 2004, p. 10 e 16.

[11]             Cem pensamentos sem pretensões, cit., p. 16.

[12]       Segundo muitos pesquisadores, a máxima “O homem é a medida de todas coisas”, é do filósofo Protágoras (485-411 a .C.) e não de Leonardo da Vinci. Mas é elementar que tal pensamento jamais foi estranho ao mestre que imortalizou, através da imagem, a condição humana.   E entre os  registros que não se perderam com o passar dos séculos, estão os dados antropométricos apresentados pelo arquiteto romano Vitrúvio (século 1 a .C.) e desenhados por da Vinci (+ ou – 1490) no seu célebre trabalho L’Uomo de Vitrúvio (1499)

[13]             A pesquisa teve as seguintes fontes: mário de andrade,  Aspectos das artes plásticas no Brasil,  São Paulo: Martins, 1965; alcídio mafra de souza, Artes plásticas na escola,  Rio de Janeiro: Bloch, 5ª ed. 1974; joão carlos lopes dos santos, O manual do mercado de arte: uma visão profissional das artes plásticas e seus fundamentos práticos,  São Paulo: Julio Louzada, 1999; josé pijoan, História da arte, Rio de Janeiro: Salvat, 1978; carlos cavalcanti, História das artes: curso elementar, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2 ed., 1968; xavier barralialtet, História da arte, Campinas, São Paulo: Papirus, 1990.

[14]                 Biobibliografia da Academia Paranaense de Letras, Túlio Vargas, Valério Hoerner Júnior e Wilson Bóia,  2ª ed. (1936-2001), Curitiba, julho de 2001


Voltar