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Coluna “A vida e a alma da advocacia” – René Ariel Dotti

 

Recebendo a decisão

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Receba com naturalidade a decisão do Juiz ou do Tribunal. A advocacia é uma profissão da alma e da mente, do coração e dos nervos. Mas apesar da carga emotiva inerente ao desempenho do mandato, o causídico deve manter, tanto quanto possível, a sobriedade ao tomar conhecimento de qualquer despacho ou manifestação sobre os destinos da causa. Se a sentença for pronunciada em audiência pública do Juizado ou Tribunal maior razão existe para essa precaução pois do outro lado estará, provavelmente, o colega que patrocina o interesse contrário e traz consigo a obrigação de empenho para um pronunciamento favorável. Seja qual for o resultado lembre-se que o magistrado deve ter liberdade para apreciar os fatos de acordo com o seu convencimento pessoal e analisar o Direito segundo a sua formação intelectual. Se o julgamento for favorável ao seu cliente alegre-se também mas com a moderação de quem sabe, por experiência ou intuição, que existe sempre a esperança de um recurso no coração da parte vencida. E se for contrário, reflita sobre os pontos inseguros da causa ou sobre os aspectos que mereceriam mais destaque na prova ou nas alegações. Mas não cometa o erro de bradar contra o Juiz ou o Tribunal como se uma conspiração tivesse sido armada. Não cometa a ingenuidade de contar o caso para os demais colegas ou simples amigos curiosos, na esperança de obter, na conversa do café ou no debate da esquina, a decisão favorável que lhe foi negada pelo Judiciário. Uma parte dos que estão ouvindo não tem nada a ver com aquele caso. E a outra não recebe os dados da questão com a imparcialidade necessária para formar o seu julgamento. Portanto, transferir o local da decisão e substituir os magistrados não irá render a compensação de energia necessária para o próximo ato de concentração do processo: o exame do possível recurso.

E para essa nova etapa, a alma e a mente devem estar muito abertas no diálogo com o cliente. O patrono deve dizer-lhe, com toda a sinceridade e com todos os detalhes, como as coisas estão postas e como será possível – e se for possível – modificá-las.

Este é um dos grandes momentos do encontro. De igual ou maior importância que o outro, o primeiro, quando o Advogado é procurado e aceita o encargo.

 

“Nas situações difíceis, lembra-te de que deves conservar tranquila a tua cabeça”
Horácio (65-8 a.C.). Célebre poeta latino.


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